Arquivo de sustentabilidade - Joab Machado - Blog https://joabmachado.com.br/tag/sustentabilidade/ Engenharia, Tecnologias e Políticas Mon, 05 Oct 2026 22:31:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://joabmachado.com.br/wp-content/uploads/2026/03/JM-150x150.png Arquivo de sustentabilidade - Joab Machado - Blog https://joabmachado.com.br/tag/sustentabilidade/ 32 32 Drenagem urbana e a forma como ocupamos a cidade https://joabmachado.com.br/drenagem-urbana-a-infraestrutura-invisivel-que-decide-se-a-cidade-para-ou-funciona/ https://joabmachado.com.br/drenagem-urbana-a-infraestrutura-invisivel-que-decide-se-a-cidade-para-ou-funciona/#respond Mon, 29 Jun 2026 23:09:25 +0000 https://joabmachado.com.br/?p=204 Drenagem urbana envolve redes, ocupação do solo e manutenção. Conhecer a bacia e a infraestrutura ajuda a escolher intervenções compatíveis com o território.

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body.postid-204 main .wp-block-post-featured-image{display:none!important}body.postid-204 main>.wp-block-group:first-child>.wp-block-group{max-width:820px!important}.joab-editorial{width:100%;max-width:820px!important;margin-left:auto!important;margin-right:auto!important;font-size:18px;overflow-wrap:anywhere}.joab-editorial p{line-height:1.7;margin:0 0 1.3em}.joab-editorial h2{margin:1.8em 0 .6em;line-height:1.22}.joab-editorial figure{width:100%;max-width:100%;margin:1.8em 0}.joab-editorial figure img{display:block;width:100%;max-width:100%;height:auto;border-radius:8px}.joab-editorial figcaption{font-size:.8em;line-height:1.5;color:#525b66;margin-top:.65em}.joab-editorial .editorial-note{font-size:.82em;color:#525b66;border-top:1px solid #d9e1e5;padding-top:1em;margin-top:2em}.joab-editorial ul{padding-left:1.3em;line-height:1.65}.joab-editorial a{overflow-wrap:anywhere}

Quando discutimos drenagem urbana, precisamos olhar para a forma como a cidade é ocupada. Redes, galerias e canais fazem parte do problema. Mas precisamos discutir principalmente o uso do solo, a manutenção da infraestrutura e a maneira como os poderes públicos lidam com as mudanças climáticas. Quando esses assuntos são tratados separadamente, podemos executar uma obra em determinado ponto e continuar com o problema em outro.

A chuva deixa isso mais visível, porque os prejuízos chegam diretamente às pessoas: a rua alagada, a casa atingida, o acesso interrompido. Mas as decisões que contribuem para esse resultado são tomadas antes, na ocupação de uma área, no projeto de uma via, na manutenção da rede e na escolha de onde investir.

O investimento necessário

Os números apresentados pelo Instituto Trata Brasil ajudam a dimensionar a falta de investimento. No período de 2017 a 2023, foram aplicados em média cerca de R$ 10 bilhões por ano em drenagem e manejo de águas pluviais. A estimativa citada pelo instituto aponta necessidade adicional de R$ 223,3 bilhões até 2033, equivalente a aproximadamente R$ 22,3 bilhões por ano no horizonte do estudo. No recorte per capita, o valor de R$ 43,79 registrado em 2023 é comparado com uma necessidade estimada de R$ 117,01 por habitante.[1]

Esses valores são referências do levantamento, com seus períodos e premissas, em preços de junho de 2023. Não são uma atualização do saldo de investimento necessário em 2026. Eles ajudam a discutir a dimensão do investimento, mas a decisão sobre uma intervenção depende também do diagnóstico local: qual é o problema, quem está sendo afetado e o que precisa funcionar depois da obra.

Conhecer a rede e o caminho da água

Antes de decidir pela construção ou ampliação de uma estrutura, precisamos entender o sistema existente. Quais redes estão cadastradas? Em que condições estão? Onde a água entra, por onde segue e qual é a capacidade do trecho que recebe esse escoamento?

A falta desse conhecimento dificulta a decisão técnica. Um alagamento pode estar relacionado à capacidade da rede, à obstrução de um dispositivo, às condições do ponto de descarga ou às mudanças ocorridas na bacia. A solução precisa considerar essas possibilidades e verificar o que de fato acontece naquele local.

Uma intervenção isolada também pode transferir o problema para jusante. Ampliar o escoamento de um trecho exige conferir o que acontece nos trechos seguintes. Essa análise fica incompleta quando se limita à rua onde a água se acumulou.

Boca de lobo com grelha junto à sarjeta de uma rua pavimentada.
Exemplo de dispositivo de captação de águas pluviais. Fotografia de Andrevruas, 15/02/2009, no Wikimedia Commons, sob CC BY 3.0. Enquadramento ajustado na diagramação, sem edição do arquivo original. Uso ilustrativo; não é um registro de Campina Grande nem de obra da Zênite.

Ocupação do solo e manutenção entram na mesma discussão

O projeto de drenagem precisa conversar com a forma como o território está sendo ocupado. A impermeabilização, as áreas disponíveis para infiltração e retenção e as alterações no percurso da água fazem parte dessa leitura. O dimensionamento das estruturas e a regulação do uso do solo precisam ser discutidos juntos.

Isso também exige capacidade técnica nos municípios. Plano de drenagem, cadastro georreferenciado e estudos hidrológicos e hidráulicos ajudam a sair de uma sequência de intervenções pontuais para um conjunto de ações com prioridades conhecidas. Sem esse trabalho, fica difícil comparar alternativas e explicar por que determinada obra deve vir primeiro.

As soluções podem combinar redes e galerias com reservatórios, áreas de retenção, jardins de chuva e outras intervenções adequadas ao local. A escolha depende das condições da bacia, do espaço disponível e da capacidade de operar e manter o que for implantado.

A manutenção precisa entrar desde o planejamento. Limpar um canal ou desobstruir uma boca de lobo pode ser necessário, mas essas ações precisam fazer parte de uma rotina conhecida, com responsáveis, cadastro e acompanhamento. A infraestrutura continua exigindo cuidado depois da entrega.

A Norma de Referência nº 12/2025 da ANA trata, entre outros aspectos, da articulação da drenagem com o planejamento urbano, do cadastro técnico e das atividades de operação e manutenção.[2] Essa referência não dispensa os estudos de cada bacia nem define, sozinha, qual solução deve ser implantada em um local.

Organizar a decisão

Para melhorar essa gestão, o município precisa conhecer os pontos críticos, organizar os projetos por bacia e avaliar as intervenções considerando também seus efeitos a jusante. Depois, é necessário definir fases de implantação e acompanhar a operação do sistema.

BIM, geoprocessamento e dados de chuva podem ajudar na compatibilização, no cadastro e na análise. Sua utilidade depende da qualidade das informações e de como a equipe consegue incorporá-las às decisões de projeto e manutenção.

Discutir drenagem dessa forma permite relacionar a obra com o funcionamento da cidade. O recurso aplicado precisa resultar numa infraestrutura que funcione e consiga ser mantida. É essa relação entre conhecimento técnico, ocupação do território e gestão que precisamos melhorar.

Fontes

[1] Instituto Trata Brasil. Investimento per capita em drenagem urbana precisaria mais que dobrar, 06/02/2026. Valores e períodos conforme apresentação do instituto; não são um diagnóstico de Campina Grande.

[2] ANA. Resolução nº 245/2025 e Norma de Referência nº 12/2025, sobre estruturação dos serviços de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas.

Texto, referências e diagramação revisados em 05/10/2026. A data original da publicação foi mantida. Os exemplos de possíveis causas exigem verificação técnica local.

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