Joab Machado – Blog https://joabmachado.com.br/ Engenharia, Tecnologias e Políticas Mon, 05 Oct 2026 22:31:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://joabmachado.com.br/wp-content/uploads/2026/03/JM-150x150.png Joab Machado – Blog https://joabmachado.com.br/ 32 32 Como usar os dados de saneamento para decidir onde investir https://joabmachado.com.br/saneamento-orientado-por-dados-como-transformar-diagnosticos-em-prioridades-de-investimento-publico/ Mon, 21 Sep 2026 20:09:05 +0000 https://joabmachado.com.br/?p=216 Os dados de saneamento ajudam a identificar problemas. Para decidir onde investir, precisamos conferir os indicadores, as condições locais e a capacidade de operar a infraestrutura.

O post Como usar os dados de saneamento para decidir onde investir apareceu primeiro em Joab Machado - Blog.

]]>
body.postid-216 main .wp-block-post-featured-image{display:none!important}body.postid-216 main>.wp-block-group:first-child>.wp-block-group{max-width:820px!important}.joab-editorial{width:100%;max-width:820px!important;margin-left:auto!important;margin-right:auto!important;font-size:18px;overflow-wrap:anywhere}.joab-editorial p{line-height:1.7;margin:0 0 1.3em}.joab-editorial h2{margin:1.8em 0 .6em;line-height:1.22}.joab-editorial figure{width:100%;max-width:100%;margin:1.8em 0}.joab-editorial figure img{display:block;width:100%;max-width:100%;height:auto;border-radius:8px}.joab-editorial figcaption{font-size:.8em;line-height:1.5;color:#525b66;margin-top:.65em}.joab-editorial .editorial-note{font-size:.82em;color:#525b66;border-top:1px solid #d9e1e5;padding-top:1em;margin-top:2em}.joab-editorial ul{padding-left:1.3em;line-height:1.65}.joab-editorial a{overflow-wrap:anywhere}

Temos hoje diferentes bases de informação sobre saneamento, que ajudam a identificar problemas de acesso, operação e prestação dos serviços. O desafio aparece quando precisamos transformar essas informações em decisões: onde investir primeiro, qual intervenção preparar e como garantir que a infraestrutura funcione depois da obra.

Um percentual de atendimento mostra parte da situação, mas precisa ser lido junto das condições locais. Dois municípios com a mesma cobertura podem ter problemas diferentes. Em um, pode faltar rede; em outro, a estrutura pode existir e precisar de recuperação, ampliação da capacidade ou ligações domiciliares. A decisão depende de entender essa diferença.

Vista de um filtro biológico percolador na Estação de Tratamento de Esgoto Onça, em Belo Horizonte.
Filtro biológico percolador na ETE Onça, Belo Horizonte. Fotografia de Marcos von Sperling, disponível no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0. Versão recortada e redimensionada, distribuída sob a mesma licença. A fotografia ilustra uma estrutura de tratamento; não representa os territórios dos indicadores citados.

O que os levantamentos ajudam a enxergar

Na apuração da versão de 21 de setembro de 2026, três assuntos ajudaram a relacionar os dados com as decisões de investimento.

O primeiro foi o lançamento da versão online e interativa do Tabuleiro do Saneamento Básico, do Instituto Água e Saneamento. A plataforma apresenta recortes sobre acesso à água e ao esgotamento, regionalização e perfil dos prestadores. Na apresentação consultada para o artigo original, 65,3% da população brasileira tinha acesso a esgotamento por rede geral ou rede pluvial, conforme o recorte utilizado.[1] Essa definição precisa acompanhar o número: conexão à rede, destinação do esgoto e tratamento adequado são informações diferentes.

O segundo foi o levantamento do TCE-RN sobre saneamento no Rio Grande do Norte. A notícia oficial, de 15 de setembro de 2026, informa atendimento por rede coletora para 31,41% da população potiguar. O trabalho combina respostas de 142 dos 167 municípios com dados do Sinisa, referentes a 2024. Entre as prefeituras respondentes, 97 declararam destinação inadequada de esgotos de unidades coletivas ou individuais, e 99 informaram destinação inadequada do lodo.[2] Aqui, a discussão vai além da expansão da rede e alcança operação e destinação dos resíduos. Os números do RN não devem ser transportados para outro estado ou município.

O terceiro assunto foi a Consulta Pública nº 03/2026 da ANA, sobre revisões tarifárias nos serviços de água e esgoto. Em notícia de 17 de setembro de 2026, a agência informou a prorrogação do prazo para contribuições até 2 de outubro.[3] Esse é o contexto histórico da publicação original: a notícia da consulta não comprova aprovação posterior da norma. As condições regulatórias e de financiamento também entram na discussão sobre implantação e manutenção dos serviços.

Conferir o dado antes de comparar

Antes de ordenar prioridades, precisamos saber o que cada indicador mede, a que período se refere, qual território cobre e de onde veio. Uma base pode medir população atendida e outra, domicílios conectados. Uma pode abranger todo o município e outra apenas quem respondeu ao levantamento.

Também precisamos entender se a informação foi declarada pelo prestador, estimada por pesquisa ou verificada em campo. Quando essas condições não estão claras, a comparação pode dar uma aparência de precisão a dados que não descrevem a mesma situação.

O cadastro das estruturas, a leitura do território e a escuta de quem opera o sistema ajudam a conferir as hipóteses. A média municipal precisa ser relacionada com bairros, áreas urbanas e rurais ou bacias de esgotamento, quando houver informação compatível para isso.

Preparar a intervenção

Podemos organizar esse trabalho em seis movimentos: padronizar os indicadores, localizar o problema, verificar suas causas, comparar alternativas, preparar o projeto e acompanhar o resultado. Essa organização é uma proposta editorial do artigo, não uma metodologia oficial nem substituição dos planos e estudos necessários.

A comparação entre alternativas precisa considerar o risco sanitário e ambiental, as pessoas beneficiadas, os custos de implantação e operação e as condições técnicas, fundiárias e ambientais. Os pesos usados nessa comparação representam escolhas dos responsáveis pela decisão; precisam ser conhecidos e explicados.

Uma intervenção de grande impacto pode ainda depender de projeto ou licenciamento. Outra pode estar pronta para executar, mas atender uma necessidade diferente. O planejamento precisa organizar tanto as obras que podem começar quanto a preparação das próximas.

Cada prioridade deve chegar a um projeto com escopo, orçamento, responsabilidade, prazo e forma de acompanhamento. Os custos de operação também precisam entrar nessa preparação. Construir uma estrutura e depois não conseguir mantê-la deixa incompleto o resultado esperado.

Verificar o que entrou em funcionamento

O acompanhamento continua depois da execução física. Precisamos conferir se a rede entrou em operação, se as ligações foram feitas, se o esgoto recebe tratamento e se os resíduos do processo têm destinação adequada.

Os dados ajudam a tornar os problemas visíveis e a comparar caminhos. A engenharia, a regulação e a gestão precisam transformar essa leitura em intervenções que possam ser executadas e mantidas. Para isso, os critérios e as limitações da informação devem continuar disponíveis para quem decide e para quem acompanha o investimento.

As relações construídas neste texto são uma interpretação editorial das fontes. Elas não são conclusões atribuídas automaticamente aos levantamentos citados.

Fontes e recortes

[1] Instituto Água e Saneamento. Lançamento do Tabuleiro do Saneamento Básico, 17/09/2026. Consulte também a plataforma.

[2] TCE-RN. Levantamento sobre universalização do saneamento no RN, 15/09/2026, com dados referentes a 2024.

[3] ANA. Prorrogação da consulta sobre revisão tarifária, notícia publicada em 17/09/2026.

Texto e referências revisados em 05/10/2026. As notícias oficiais do TCE-RN e da ANA substituem as referências indiretas da versão anterior. Os dados e a consulta são apresentados nos seus recortes históricos, não como um retrato atualizado de todo o setor.

O post Como usar os dados de saneamento para decidir onde investir apareceu primeiro em Joab Machado - Blog.

]]>
Drenagem urbana e a forma como ocupamos a cidade https://joabmachado.com.br/drenagem-urbana-a-infraestrutura-invisivel-que-decide-se-a-cidade-para-ou-funciona/ https://joabmachado.com.br/drenagem-urbana-a-infraestrutura-invisivel-que-decide-se-a-cidade-para-ou-funciona/#respond Mon, 29 Jun 2026 23:09:25 +0000 https://joabmachado.com.br/?p=204 Drenagem urbana envolve redes, ocupação do solo e manutenção. Conhecer a bacia e a infraestrutura ajuda a escolher intervenções compatíveis com o território.

O post Drenagem urbana e a forma como ocupamos a cidade apareceu primeiro em Joab Machado - Blog.

]]>
body.postid-204 main .wp-block-post-featured-image{display:none!important}body.postid-204 main>.wp-block-group:first-child>.wp-block-group{max-width:820px!important}.joab-editorial{width:100%;max-width:820px!important;margin-left:auto!important;margin-right:auto!important;font-size:18px;overflow-wrap:anywhere}.joab-editorial p{line-height:1.7;margin:0 0 1.3em}.joab-editorial h2{margin:1.8em 0 .6em;line-height:1.22}.joab-editorial figure{width:100%;max-width:100%;margin:1.8em 0}.joab-editorial figure img{display:block;width:100%;max-width:100%;height:auto;border-radius:8px}.joab-editorial figcaption{font-size:.8em;line-height:1.5;color:#525b66;margin-top:.65em}.joab-editorial .editorial-note{font-size:.82em;color:#525b66;border-top:1px solid #d9e1e5;padding-top:1em;margin-top:2em}.joab-editorial ul{padding-left:1.3em;line-height:1.65}.joab-editorial a{overflow-wrap:anywhere}

Quando discutimos drenagem urbana, precisamos olhar para a forma como a cidade é ocupada. Redes, galerias e canais fazem parte do problema. Mas precisamos discutir principalmente o uso do solo, a manutenção da infraestrutura e a maneira como os poderes públicos lidam com as mudanças climáticas. Quando esses assuntos são tratados separadamente, podemos executar uma obra em determinado ponto e continuar com o problema em outro.

A chuva deixa isso mais visível, porque os prejuízos chegam diretamente às pessoas: a rua alagada, a casa atingida, o acesso interrompido. Mas as decisões que contribuem para esse resultado são tomadas antes, na ocupação de uma área, no projeto de uma via, na manutenção da rede e na escolha de onde investir.

O investimento necessário

Os números apresentados pelo Instituto Trata Brasil ajudam a dimensionar a falta de investimento. No período de 2017 a 2023, foram aplicados em média cerca de R$ 10 bilhões por ano em drenagem e manejo de águas pluviais. A estimativa citada pelo instituto aponta necessidade adicional de R$ 223,3 bilhões até 2033, equivalente a aproximadamente R$ 22,3 bilhões por ano no horizonte do estudo. No recorte per capita, o valor de R$ 43,79 registrado em 2023 é comparado com uma necessidade estimada de R$ 117,01 por habitante.[1]

Esses valores são referências do levantamento, com seus períodos e premissas, em preços de junho de 2023. Não são uma atualização do saldo de investimento necessário em 2026. Eles ajudam a discutir a dimensão do investimento, mas a decisão sobre uma intervenção depende também do diagnóstico local: qual é o problema, quem está sendo afetado e o que precisa funcionar depois da obra.

Conhecer a rede e o caminho da água

Antes de decidir pela construção ou ampliação de uma estrutura, precisamos entender o sistema existente. Quais redes estão cadastradas? Em que condições estão? Onde a água entra, por onde segue e qual é a capacidade do trecho que recebe esse escoamento?

A falta desse conhecimento dificulta a decisão técnica. Um alagamento pode estar relacionado à capacidade da rede, à obstrução de um dispositivo, às condições do ponto de descarga ou às mudanças ocorridas na bacia. A solução precisa considerar essas possibilidades e verificar o que de fato acontece naquele local.

Uma intervenção isolada também pode transferir o problema para jusante. Ampliar o escoamento de um trecho exige conferir o que acontece nos trechos seguintes. Essa análise fica incompleta quando se limita à rua onde a água se acumulou.

Boca de lobo com grelha junto à sarjeta de uma rua pavimentada.
Exemplo de dispositivo de captação de águas pluviais. Fotografia de Andrevruas, 15/02/2009, no Wikimedia Commons, sob CC BY 3.0. Enquadramento ajustado na diagramação, sem edição do arquivo original. Uso ilustrativo; não é um registro de Campina Grande nem de obra da Zênite.

Ocupação do solo e manutenção entram na mesma discussão

O projeto de drenagem precisa conversar com a forma como o território está sendo ocupado. A impermeabilização, as áreas disponíveis para infiltração e retenção e as alterações no percurso da água fazem parte dessa leitura. O dimensionamento das estruturas e a regulação do uso do solo precisam ser discutidos juntos.

Isso também exige capacidade técnica nos municípios. Plano de drenagem, cadastro georreferenciado e estudos hidrológicos e hidráulicos ajudam a sair de uma sequência de intervenções pontuais para um conjunto de ações com prioridades conhecidas. Sem esse trabalho, fica difícil comparar alternativas e explicar por que determinada obra deve vir primeiro.

As soluções podem combinar redes e galerias com reservatórios, áreas de retenção, jardins de chuva e outras intervenções adequadas ao local. A escolha depende das condições da bacia, do espaço disponível e da capacidade de operar e manter o que for implantado.

A manutenção precisa entrar desde o planejamento. Limpar um canal ou desobstruir uma boca de lobo pode ser necessário, mas essas ações precisam fazer parte de uma rotina conhecida, com responsáveis, cadastro e acompanhamento. A infraestrutura continua exigindo cuidado depois da entrega.

A Norma de Referência nº 12/2025 da ANA trata, entre outros aspectos, da articulação da drenagem com o planejamento urbano, do cadastro técnico e das atividades de operação e manutenção.[2] Essa referência não dispensa os estudos de cada bacia nem define, sozinha, qual solução deve ser implantada em um local.

Organizar a decisão

Para melhorar essa gestão, o município precisa conhecer os pontos críticos, organizar os projetos por bacia e avaliar as intervenções considerando também seus efeitos a jusante. Depois, é necessário definir fases de implantação e acompanhar a operação do sistema.

BIM, geoprocessamento e dados de chuva podem ajudar na compatibilização, no cadastro e na análise. Sua utilidade depende da qualidade das informações e de como a equipe consegue incorporá-las às decisões de projeto e manutenção.

Discutir drenagem dessa forma permite relacionar a obra com o funcionamento da cidade. O recurso aplicado precisa resultar numa infraestrutura que funcione e consiga ser mantida. É essa relação entre conhecimento técnico, ocupação do território e gestão que precisamos melhorar.

Fontes

[1] Instituto Trata Brasil. Investimento per capita em drenagem urbana precisaria mais que dobrar, 06/02/2026. Valores e períodos conforme apresentação do instituto; não são um diagnóstico de Campina Grande.

[2] ANA. Resolução nº 245/2025 e Norma de Referência nº 12/2025, sobre estruturação dos serviços de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas.

Texto, referências e diagramação revisados em 05/10/2026. A data original da publicação foi mantida. Os exemplos de possíveis causas exigem verificação técnica local.

O post Drenagem urbana e a forma como ocupamos a cidade apareceu primeiro em Joab Machado - Blog.

]]>
https://joabmachado.com.br/drenagem-urbana-a-infraestrutura-invisivel-que-decide-se-a-cidade-para-ou-funciona/feed/ 0
Como manter um projeto de infraestrutura entre duas gestões https://joabmachado.com.br/ciclos-politicos-vs-ciclos-de-projeto-incompatibilidade/ https://joabmachado.com.br/ciclos-politicos-vs-ciclos-de-projeto-incompatibilidade/#respond Wed, 03 Dec 2025 19:47:05 +0000 https://joabmachado.com.br/?p=130 Projetos de infraestrutura atravessam gestões. Documentar decisões, versões e pendências ajuda a próxima equipe a entender o que recebeu e avaliar as condições para continuar.

O post Como manter um projeto de infraestrutura entre duas gestões apareceu primeiro em Joab Machado - Blog.

]]>
body.postid-130 main .wp-block-post-featured-image{display:none!important}body.postid-130 main>.wp-block-group:first-child>.wp-block-group{max-width:820px!important}.joab-editorial{width:100%;max-width:820px!important;margin-left:auto!important;margin-right:auto!important;font-size:18px;overflow-wrap:anywhere}.joab-editorial p{line-height:1.7;margin:0 0 1.3em}.joab-editorial h2{margin:1.8em 0 .6em;line-height:1.22}.joab-editorial figure{width:100%;max-width:100%;margin:1.8em 0}.joab-editorial figure img{display:block;width:100%;max-width:100%;height:auto;border-radius:8px}.joab-editorial figcaption{font-size:.8em;line-height:1.5;color:#525b66;margin-top:.65em}.joab-editorial .editorial-note{font-size:.82em;color:#525b66;border-top:1px solid #d9e1e5;padding-top:1em;margin-top:2em}.joab-editorial ul{padding-left:1.3em;line-height:1.65}.joab-editorial a{overflow-wrap:anywhere}

Um projeto de infraestrutura pode atravessar mais de uma gestão. Nesse período, mudam as equipes e as prioridades, enquanto a obra continua dependendo de projeto, recursos, licenças e acompanhamento. O problema aparece quando a mudança de gestão também interrompe o conhecimento sobre o que estava sendo feito e o que ainda precisa ser resolvido.

Para quem recebe um projeto em andamento, é necessário entender o que foi decidido, quais etapas foram executadas e quais condições sustentam a continuidade. Quando esse registro é incompleto, parte do trabalho precisa ser refeita e decisões importantes podem ficar sem explicação.

O que o levantamento do TCU permite afirmar

O diagnóstico divulgado pelo TCU sobre 2024 identificou 11.941 obras paralisadas, correspondentes a 52% das contratações vigentes no universo acompanhado de obras com recursos federais.[1] Esse recorte precisa acompanhar o dado: ele não representa, por si só, todas as obras de todos os municípios brasileiros.

O levantamento ajuda a discutir o problema da paralisação, mas não permite atribuir cada ocorrência à alternância política. É preciso examinar as condições de projeto, contrato, financiamento e execução de cada caso antes de explicar sua causa.

Continuidade exige informação que a próxima equipe consiga usar

O projeto precisa de um registro que vá além da relação de documentos existentes. Quem assume deve conseguir localizar a versão utilizada na obra, compreender as decisões de escopo e identificar os pontos ainda pendentes. A informação precisa ser utilizável pela equipe que chega.

Isso inclui saber o que está concluído, o que pode ser executado e o que depende de uma condição ainda não atendida. Uma etapa pode depender de licenciamento, liberação de área, ajuste de projeto ou definição de recursos. Esses pontos precisam aparecer na transição com seu histórico e com os responsáveis pelo acompanhamento.

Também é necessário conhecer os compromissos já assumidos e os custos que continuam depois da entrega. Uma estrutura que entra em operação vai exigir manutenção, equipe e despesas recorrentes. Essas condições devem fazer parte do planejamento e permanecer visíveis na mudança de gestão.

Organizar fases e explicar as prioridades

Quando um projeto é executado em etapas, cada fase precisa ter uma função conhecida no conjunto. Uma entrega parcial deve ser avaliada pelo que consegue oferecer e pelas condições necessárias para funcionar. Uma inauguração, por si só, não mostra se toda a infraestrutura necessária está pronta para uso.

As prioridades também precisam de justificativa. O problema atendido, as pessoas beneficiadas e as alternativas consideradas ajudam a explicar por que o projeto merece continuidade. Isso permite que a discussão seja feita com informação, inclusive quando a nova gestão entende que algum aspecto precisa ser revisto.

Continuidade não significa manter qualquer decisão sem reavaliação. Um projeto pode precisar mudar diante de novos dados ou de uma condição que não havia sido considerada. O importante é registrar o motivo, o efeito da alteração e o que será necessário para seguir.

Acompanhar o projeto e a transição

O acompanhamento público pode reunir a situação das etapas, as pendências e as decisões relevantes. Um painel só será útil se a informação estiver atualizada e permitir compreender o andamento. Percentual físico isolado não explica todos os obstáculos de uma obra.

Na transição, um registro objetivo pode organizar o escopo e a versão do projeto, as etapas executadas, as pendências, os recursos previstos e os próximos atos necessários. Esse material não elimina os conflitos de prioridade, mas dá à próxima equipe condições melhores para avaliar o que recebeu.

A discussão sobre ciclos políticos e projetos precisa chegar a esse trabalho concreto de gestão. Projetos de maior duração exigem conhecimento que permaneça disponível entre equipes. Quando as decisões são documentadas e as condições de execução estão claras, a mudança de gestão pode ser tratada com mais informação e menos perda de trabalho.

Referência

[1] Tribunal de Contas da União. Diagnóstico sobre obras contratadas com recursos federais, divulgado em 04/12/2024. Os números são apresentados como registro daquele período, não como fotografia atual de 2026.

Texto e referências revisados em 05/10/2026. Foram retirados percentuais, exemplos e referências que não estavam suficientemente documentados na versão anterior. A análise se concentra na continuidade da informação e na transição de gestão, sem atribuir uma causa única às paralisações.

O post Como manter um projeto de infraestrutura entre duas gestões apareceu primeiro em Joab Machado - Blog.

]]>
https://joabmachado.com.br/ciclos-politicos-vs-ciclos-de-projeto-incompatibilidade/feed/ 0